sexta-feira, 19 de junho de 2009
A hegemonia marxista
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
A autoridade do arquétipo em face do igualitarismo nivelador
Em livro recente, Los Aquetipos y la história, o pensador argentino Antônio Caponnetto faz notar que desde os bancos escolares se descura do dever de fazer religar as inteligências à Verdade e à Sabedoria, posto que as instituições de ensino se converteram em mera instituição pragmatista, que cinge seu ofício unicamente em formar profissionais – de matiz notadamente utilitarista -, restrita, portanto, na ação, no êxito e na eficácia.
O ideal concebido é o do homo faber, industrial, produtivo, consumidor.
Este tipo de formação educativa se baseia no igualitarismo. Em homenagem a ele, o colégio deverá esquecer a apresentação modélica de personalidades excepcionais, os chefes, os santos, os gênios, porque tais personagens são anormais. Os arquétipos se vêem imolados nas aras do igualitarismo informe.
Anzoatégui dizia na época em que Kruschve, no período de sua Perestroika, fustigava duramente a política de Stalin por haver fomentado o culto a personalidade: “A condenação do culto da personalidade é uma das mais baixas abominações modernas. Importa o triunfo do culto da mediocridade, a democratização dos valores humanos, a abolição da faculdade de admirar, de render pleito – homenagem ao ser superior – que é faculdade inerente à personalidade humana. Stalin foi um criminoso. E o temos como tal. Mas não pelo delito de ter se conduzido como um medíocre. Porque é preferível admirar o Diabo a não admirar o Diabo nem a Deus. O primeiro é o diabolismo que tem como remédio o exorcismo; o segundo é o eunuquismo que não tem remédio”.
Eis a expressão terrível de Victor Hugo: “Egalité, traduction politique de mot envie”. Daí, a inspiração remota do princípio político da igualdade absoluta não ser outra que a tentação demoníaca de nossos primeiros pais no paraíso: “sereis como deuses”, pecado que mescla o orgulho com a soberba, anelo prometeico de igualar-se a Deus, rejeição de toda superioridade, de todo arquétipo.
Não em vão afirmava La Rochefoucauld que os espíritos medíocres condenam de ordinário tudo o que está além de seu alcance.
É o triunfo da tibieza, dos homens castrados. O processo igualitarista de nosso tempo é a expressão mais cabal de uma sociedade decadente, que considera impossível a vontade de ser alguém, que dilui irremediavelmente o pathos das distâncias.
A presunta justiça através da igualdade é de fato a injustiça para com os melhores, e, portanto para com todos, privados da liberdade dos melhores.
No âmbito das escolas se adverte o sentido antimodelico que toma o ensino da História, a matéria que mais se presta para exaltação dos arquétipos:
“Nunca de chegará à compreensão histórica – escreve Huizinga – se não visualizarmos a imagem dos indivíduos que foram os primeiros em conceber os pensamentos, que ganharam ânimo para agir, que se arriscaram e saíram vitoriosos onde outros muitos se entregaram ao desespero”.
Nesse sentido, Hesíodo e Homero, apesar de não terem sido historiadores, em sentido estrito, senão poetas foram autênticos educadores através da história, porque ao expor as façanhas dos heróis, ensinavam implicitamente o dever-ser do cidadão da polis.
“Não é o conhecimento do cotidiano – diz Caponnetto -, do que é variável e passageiro o que aperfeiçoa as almas, senão o deter a atenção nos gestos, nos atos, nos pensamentos, que venceram a fugacidade diária, que conquistaram uma margem na história e por isso voltaram a ser atuais, ou seja, permanentes, de interesse constante”.
Homero é atual esta manhã e o jornal hoje já envelheceu dizia Péguy aludindo essa contemporaneidade do superior, em contraste com a caducidade dos sucessos ordinários. Bem escrevia Chesterton: “A tradição não quer dizer que os vivos estão mortos, senão que os mortos estão vivos”.
Hoje se prefere outro ensino da história, adequada à superficialidade do ambiente. Uma história não comprometida, profissionalista e descritiva, quimicamente pura, sem adjetivos, e, se é possível, sem substantivo, em última instância, uma história amorfa, informe e incapaz de formar.
A história que se ensina hoje é aquela que desterra a memória. Solzhenitsyn denunciou o sinistro plano que em seu tempo elaborou o regime marxista para destruir a memória de sua pátria mártir em aras da gestação do «homem novo». Bem ressalva Antônio Caponnetto que «a história é a memória dos povos, e uma nação submetida à substituição sistemática de sua memória acaba no esquecimento».
A preterição das raízes e dos arquétipos fundacionais, não tende senão a engendrar aqueles «cidadãos do mundo» que propicia a política educativa da UNESCO, sobre a base da abdicação do nacional em vista a consolidação de um mundo homogeneizado.
O ensinamento de uma história sem raízes torna-se indispensável para levar adiante o projeto de uma sociedade fabricada próspera e esterilizada. Fazer de cada país uma peça de xadrez no tabuleiro da Nova Orden Mundial.
Daí a magistral lição de Heraldo Barbuy (infelizmente desconhecido até mesmo entre nós, fruto justamente da hegemonia da concepção marxista do ser e da história) que salienta que “a noção homogênea do espaço científico, abolindo países e paisagens, diversidades e vivências, coincide com a projeção desse espaço no mundo fabricado, onde tudo se torna uniforme, standard, trajos e moradias, leis e regimes, desejando uma idéia científica da unidade do mundo, que é o posto de toda verdadeira unidade. Porque realmente a unidade supõe a variedade, a adesão a princípios sucessivamente mais altos que fundem um ápice espiritual, simbólico e superior”.
E acrescenta ainda o insigne filósofo que anulada, porém a existência do Deus vivo e concreto, toda hierarquia se desfez e toda unidade desapareceu; o sucedâneo da unidade é essa idéia de “um mundo só” que é a negação de toda unidade, de toda variedade e que é o conceito despótico do internacional. O internacional é o espaço científico, homogêneo, indistinto, coletivo; é a liquidação de toda peculiaridade. Já não há mais horizonte ao redor, um horizonte próximo. O sentimento da proximidade desapareceu com a uniformidade do espaço e com a supressão do locus; estamos sempre no mesmo treco de espaço, porque todos os trechos são indistintos; não havendo mais proximidade, também não há mais distância; a supressão das distâncias pela técnica se dá no espaço projetado pela ciência; não já mais distância, nem proximidade, porque o próprio espaço se tornou irreal, o fruto de uma abstração, o resultado de uma negação da realidade e da unidade do mundo.
Mas o tema dos modelos, dos arquétipos, não se refere apenas as nações e, por conseguinte, ao estudo da história universal e pátria, senão que tem haver também com o homem individual. São dois aspectos que se vinculam entre si. Porque o imanentismo da visão histórica tem por termo que a significação dos fatos se inicie e se esgote no homem, um homem feito a imagen e semelhança de si mesmo. É o drama do antropocentrismo (antropoteismo no dizer de Miguel Ayuso) contemporâneo, de um homem sem referências nem religações que o transcendam.
O fato é que assim como não existe ensino verdadeiro da história sem se ater aos paradigmas, tampouco há realização do homem sem contemplação de seus arquétipos.
O significado da palavra arquétipo, remonta a tradição cultural do mundo grego. Typos, primitivamente, significava golpe, ruído feito ao golpear, marca deixada como conseqüência de um golpe. Arjé agrega o sentido de princípio, originalidade. Portanto: golpe ou marca original.
O homem é um ser essencialmente instável e está feito para transcender-se, tem a vocação da transcendência. Não pode reduzir-se a permanecer nos limites de um humanismo enclausurado em si mesmo: ou se transcende elevando-se, o se transcende degradando-se; ou se transcende para cima ou se transcende para baixo.
Gustave Thibon assim se expressa: modo: «O homem apenas se realiza superando-se; não chega a ser ele mesmo senão quando ultrapassa seus limites. E, para dizer a verdade, não tem limites, senão que pode, segundo abra ou feche a porta a Deus, dilatar-se até o infinito ou reduzir-se até o nada».
Nesse sentido, nada mais repugnante que a expressão: «cada qual deve aceitar-se como é». Os arquétipos e modelos são propostos a nossa consideração precisamente para que não nos aceitemos como tais, senão que optemos a transcender-nos. «Somos viajantes em busca da pátria –dizia Hello– temos que levantar os olhos para reconhecer o caminho».
Conta Cervantes que os rústicos que escutavam Don Quixote terminavam extasiados por seu discurso. É que aquelas palavras candentes lhes permitiam reencontrar-se com o melhor deles mesmos, elevando seus corações acima da trivialidade cotidiana.
Dizia Heidegger que a existência banal está feita de abdicação e termina no fastio e na angustia, reclamando algo mais que a preencha e a sacie.
Conforme assinala Alfredo Sáenz, é Deus quem pos em nós essa atração pelo sublime, essa necessidade ontológica de superar-nos, de ser distintos e melhores do que somos (e não necessariamente do que os outros), esse anelo de quebrar o círculo estreito das apetências menores.
Com justeza fez notar Heraldo Barbuy que, "se há um significado no terrível drama da alma contemporânea, este só se pode dar na consciência de que é preciso devolver ao homem o sentido da sua vida, que não é outro senão o sentido do religioso, buscando, como os cavaleiros do Graal, através das jornadas indizíveis, o objeto transcendente da existência. Porque se a vida tem um fim, este não pode ser senão um fim que transcende à vida; se a transcendência estivesse na vida mesma, como dizem Heidegger e outros existencialistas, então a vida seria o fim de si mesma, o que é o mesmo que dizer que a vida não tem finalidade, nem sentido, Nada tem sentido se Deus não existe. Mas, se Deus existe, viver é transcender-se, é superar-se; eis porque, todos os tempos que acreditaram em Deus, acreditaram no herói".
Assim, somente tendendo ao superior chegamos ser autenticamente nós mesmos; somente cedendo à atração das alturas saímos de nossa subjetividade e nos fazemos capazes de por nossa vida ao serviço de Deus e dos demais.
Eis a decisão radical na vida de cada homem: ou sucumbir a mediocridade, deixando-se deslumbrar pelo brilho das coisas que lhe são inferiores, ou propor-se uma existência vertical, com sua inevitável cota de renúncia e de sacrifício, uma existência orientada para a contemplação do Arquétipo e a emulação de suas virtudes.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O Coletivismo contra o Social
GUSTAVE THIBON, foi autodidata genail, nasceu em 2 de set de 1903 em Saint-Marcel-d'Ardèche (França), onde foi sempre lavrador. Não foi um homem de diplomas e títulos. Estudou por si só o grego e o latim, os "Diálogos" de Platão e a filosofia de Aristóteles, a "Suma Teológica" de Santo Tomás. Deu-nos páginas luminosas de "Diagnósticos de Fisiologia Social", "O que Deus uniu", "A Escada de Jacob" e outros volumes de aforismos penetrantes, que são como flechas agudas atiradas para todos os lados. Poucos como ele compreenderam profudamente o homem e a mulher, o amor humano e o casamento. Thibon é o testemunho que se oculta para deixar brilhar a verdade em todo o seu esplendor. Ele mesmo disse: "Eu não aspiro a iluminar os homens com a minha lanterna: minha única ambição é ajudá-lo a melhor contemplar o sol".Fonte: Revista Hora Presente, São Paulo, set/out de 1968, n° 1, p. 127/128.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
O ressentimento marxista
Em decorrência do paroxismo esquerdista em que a moderna intelligentsia utópica mergulha o mundo, todos os princípios de normalidade humana vêem-se cada vez mais contestados, isto é, profundamente negados e rejeitados.
Daí a crença – como lembra Thomas Molnar também pouco conhecido entre nós - de que a humanidade poderá um dia livrar-se de tudo que a divide, de todas as distinções e desigualdades e a noção do amor como fusão de todos os seres e finalmente a insistência em querer dissolver os laços que lembram a antiga humanidade “ultrapassada”, laços de família, de propriedade, de hierarquia e laços com um Deus transcendente.
Como na Rússia aniquilada pelo bolchevismo, o inimigo é o gulag, o senhor da terra, o camponês livre com sua família e sua aldeia. Contra tão vivificadora presença se alçou a máquina destruidora de Lênin e Stalin, cujo último objetivo – como assinala Alexander Soljenítsin - era "destruir uma forma de vida nacional e extirpar a religião dos campos". Ali estão os versos lancinantes de Sérgio Esénin, para testemunhar que o dano imenso causado ao ruralismo pela revolução comunista, foi desterrar esse Cristo camponês, ante cuja majestade se inclinavam os pinheiros e os salgueiros para entoar-lhe o Hosana, esse Cristo divino lavrador, frente ao qual, até a névoa do pântano se fazia incenso em tributo de louvor.
Nosso Nélson Rodrigues que tantas vezes em seus artigos em “O Globo”, com verbo inflamado atacou o marxismo e seus próceres, é bem elucidativo quanto ao famigerado humanismo marxista: “Aí está o óbvio, não o simples óbvio, mas o óbvio ululante. Nem se precisa ser arquiteto, ou poeta, ou cineasta, ou sociólogo para perceber a brutalíssima evidência. O que já fez e continua fazendo o socialismo? Sim, o que nos ensina a experiência socialista senão o massacre de todas as liberdades? Eu poderia citar outras, e outras atrocidades. Lembrarei apenas uma: o estupro da pessoa humana. E que nos deu o socialismo, em troca da pessoa humana? Deu-nos a antipessoa. Aí está a figura mais hedionda da nossa época: - a antipessoa. A Rússia a criou, eis a verdade. E uma mãe, num poste de ônibus, suspirava: - ‘Hoje meu filho me deu uma surra’. Não era o filho, era a antipessoa. O anti-homem é algo de visível, de tangível, algo que podemos apalpar, sim, farejar, fisicamente. Tudo isso, repito, é óbvio mais ululante da terra”.
Qual o motivo ante a experiência socialista, manchada até a medula pelo sangue de milhões de vidas humanas, faz com que tantos jovens sofram ainda o influxo da ação revolucionária das esquerdas de todos os matizes?
Remetendo o assunto a nossa realidade, vemos estagnados a fina flor da intelectualidade brasileira (analfabetos diplomados), sejam eles juristas, sociólogos, professores universitários, simples palpiteiros e até mesmo o mais modesto vendedor de pipoca da esquina entoarem loas ao desgoverno revolucionário que assola todo país.
Quilombolas, MST, reservas indígenas, cotas para negros, uniões civis de homossexuais, aborto, etc.: estamos caminhando para uma sociedade justa e igualitária dizem eles.
Por outro lado, fascistas, preconceituosos, racistas e toda sorte de epítetos são atribuídos a todos àqueles que conseguem enxergar o óbvio ululante: estamos caminhando em passos largos para o totalitarismo comunista.
No entanto, consola-nos que – e temos escutado e visto pessoalmente, longe dos registros televisivos condescendentes com a má sorte que se aproxima - nas propriedades rurais tão intensas e viris de nossos dias, e mesmo nas conversas diárias com a gente simples do povo, não hão faltado espontâneas e fundamentadas vozes e manifestações que desmascaram o caráter revolucionário e terrorista do governo que os castiga e persegue. É o modo local inequívoco de protestar contra o marxismo dominante. É o sinal suficiente entre nós, para avisar e advertir que são os vermelhos os responsáveis desta investida anti-nacional. É o sinal de que ninguém se engana sobre a trágica existência de uma tirania, exercida por antigos terroristas camuflados agora em dirigentes da nação.
Como todos os marxistas, os que compõem o desgoverno subversivo do PT não se inclinam ante os pobres ou ante as minorias (que são a pedra de toque de todo discurso hipócrita da esquerda) para resolver-lhes realmente sua angustiosa situação. Não se interessam por eles caritativamente senão, como o prescreveu lapidarmente Henri Lefebvre, lhes servem de força propagandística, de vítimas manipuláveis, de ocasião e escusa para exercitar a demagogia populista e o utopismo insensato de prometer que se acabará com a pobreza como que promete que chegará inexoravelmente o verão após rigorosos frios. Os pobres, as minorias da retórica esquerdista não são os do Evangelho, cujas chagas puderam cobrir os monarcas santos. Não são sequer os esfarrapados aos que chega o assistencialismo filantrópico. Os pobres dos discursos da esquerda – enquanto seus asseclas exibem impúdicamente suas finas roupagens e frivolidades exasperantes – são os mesmos dos quais falava hipócritamente Liu Chao Tchi em 1950: “uma classe a qual não há que aliviar sua miséria senão utilizar como pretexto político e força de choque”.
Esta não é a gestão de Robin Hood – tirando dos ricos e dando aos pobres - senão a de profissionais da usura, da máfia, do delito e do homicídio, ao serviço da plutocracia internacional. Não é a gestão do Cavaleiro de Sherwood senão a da donzela dos tugúrios sionistas e das USPs dos terroristas de ontem.
Com ela como símbolo da tragédia que padecemos, se constata uma vez mais o que dissera o argentino Alberto Falcionelli: “o capitalismo e o marxismo são ruptura na história. Ruptura da Tradição, da Fé, da Nacionalidade e da Decência”.
É a existência mesmo de nossa nação que está em jogo. Para que nossa pátria recupere sua existência é necessário combater a maldita, enlouquecida e furiosa tirania que a mantém presa e torturada. Tirania de incendiários e mentirosos, de hipócritas e ignorantes, de facínoras e malfeitores, de cegos e segregadores das liberdades concretas. Tirania do número e do garrote vil, dos criminosos de guerra de outrora (guerra subversiva e revolucionária como tem demonstrado o Deputado Jair Bolsonaro), revestidos agora em donos do poder. Tirania de imorais, ateus e apátridas, unidos todos sobre a comum e repugnante marca do ressentimento.
O ressentimento: essa "ira ulcerada", como o definiu o Pe. Castellani, "mesclada de inveja, de soberba e, sobretudo, de preguiça. Veneno que é como uma ferida inflamada e depois gangrenosa".
sábado, 1 de novembro de 2008
Gen. Olympio Mourão Filho: um profeta
O General Olympio Mourão Filho (figura de destaque na recente história do Brasil, sobremodo na Revolução de 64 que livrou o Brasil das do comunismo), não chegou a conhecer Lula, mas certamente as palavras que agora transcrevemos revelam que este grande homem de nossas armas também foi um profeta.
"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso".
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Raimundo Farias Brito: homenagem ao grande filósofo cearense
Um personagem de Chesterton, em "A Esfera e a Cruz", quebrava a bengaladas as vidraças de um jornal que ofendia a Mãe de Cristo, era uma forma de fazer frente a seus opositores e do cristianismo.
Farias Brito entendia que, a filosofia, fornecendo uma interpretação da existência, dá-nos ao mesmo tempo a compreensão do nosso destino.
Novalis, de uma certa feita, ensinou que, só um artista pode adivinhar o sentido da vida. Nesse sentido, Carlos da Veiga Lima, em estudo referente à obra de Farias Brito, dizia em certa altura: "E haverá maior artista que o filósofo?... A filosofia é a arte suprema... arte para nosso filósofo, não é senão, energia criadora do ideal".
A realidade é uma afirmação do espírito, e só o espírito atrai o pensamento, dando-lhe força pragmática, modelando como IDÉIA FORÇA que coordena o obscuro mecanismo da nossa personalidade e da realidade à nossa consciência e eficácia a idéia (Carlos da Veiga Lima).
Entendemos que tudo quanto escreveu, foi para os olhos de nossa geração, que caminha como fardo sem endereço, em busca de um relâmpago interior que seja inoculado em suas almas, impulsionando-os às culminâncias mais elevadas, dando significado e dignidade ao seu destino.
Corroborando com tudo quanto dissemos, cabe ressaltar a indelével sentença de um ilustre pensador lusitano: "... os homens passam com o seu tropéu de ódios, com o seu cortejo de violências, mas que não passa jamais toda afirmação que é feita com amor e servida com sinceridade".
Que é a Revolução?
Charles Maurras: "A revolução verdadeira não é a revolução na rua, é a maneira revolucionária de pensar"
A Revolução nas inteligências vem de longe. Daí é que ela passa as barricadas. Sua eclosão, precedendo as jornadas revolucionárias nas ruas de Paris em 1789, foi magnificamente estuda por Augustin Cochin, que fez compreender o verdadeiro sentido da Revolução "antifrancesa", dando a conhecer a ação das "sociedades de pensamento" e a "maneira revolucionária de pensar".
Naquela mesma época foi igualmente, e com alta categoria, delineada por Bernard Fay em La Revolution intellectualle au XVIIIe Siècle en France, este mesmo Bernard Fay que mais recentemente nos deu seu livro chave, La Naissance d´um Monstre, mostrando como, através da história, se tem forjado a "opinião pública".
Vem de longe a Revolução nas idéias.
Mas o que a Revolução? Responde Monsenhor Gaume (La Révolution):
"Eu não sou o que se pensa. Muitos falam de mim e muito poucos me conhecem. Eu não sou nem o carbonarismo, nem a arruaça, nem a mudança de monarquia em república, nem a substituição de uma dinastia por outra, nem a perturbação momentânea da ordem pública, nem os furores da Montanha, nem o combate das barricadas, nem a pilhagem, nem o incêndio, nem a lei agrária, nem a guilhotina, nem os afogamentos. Eu não sou nem Marat, nem Robespierre, nem Kossuth. Estes homens são meus filhos, não são eu mesma. Estas coisas são minhas obras, não são eu mesma. Estes homens e estas coisas são fatos passageiros e eu sou um estado permanente...""Eu sou o ódio de toda ordem que o homem estabeleceu e na qual ele não é rei e Deus ao mesmo tempo".
A Revolução é a substituição da religião do Deus feito homem pela religião do homem feito Deus.